Bullying
Bullying é um termo utilizado para descrever atos de
violência física ou
psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do
inglês bully,
tiranete ou
valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.
Em 20% dos casos as pessoas são simultaneamente vítimas e agressoras
de bullying, ou seja, em determinados momentos cometem agressões, porém
também são vítimas de assédio escolar pela turma. Nas escolas, a maioria
dos atos de bullying ocorre fora da visão dos adultos e grande parte
das vítimas não reage ou fala sobre a agressão sofrida.
Terminologia
Devido ao fato de ser um fenômeno que só recentemente ganhou mais
atenção, o assédio escolar ainda não possui um termo específico
consensual, sendo o termo em
inglês bullying constantemente utilizado pela mídia de língua portuguesa. Existem, entretanto, alternativas como
acossamento,
ameaça,
assédio,
intimidação, além dos mais informais
judiar e
implicar", além de diversos outros termos utilizado pelos próprios estudantes em diversas regiões.
No Brasil, o
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa indica a palavra
bulir como equivalente a
mexer com, tocar, causar incômodo ou apoquentar, produzir apreensão em, fazer caçoada, zombar e falar sobre, entre outros. Por isso, são corretos os usos dos vocábulos derivados, também inventariados pelo dicionário, como
bulimento (o ato ou efeito de bulir) e
bulidor (aquele que pratica o bulimento).
Caracterização do assédio escolar
Como a maior parte dos alunos não denunciar, e alguns adultos
negligenciam sua importância, a sensação de impunidade favorecem a
perpetuação do comportamento agressivo.
Acossamento,
ou "intimidação" ou entre falantes de
língua inglesa bullying é um termo frequentemente usado para descrever uma forma de
assédio interpretado por alguém que está, de alguma forma, em condições de exercer o seu poder sobre alguém ou sobre um grupo mais
fraco.
O cientista sueco - que trabalhou por muito tempo em Bergen (Noruega)
- Dan Olweus define assédio escolar em três termos essenciais:
- o comportamento é agressivo e negativo;
- o comportamento é executado repetidamente;
- o comportamento ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.
O assédio escolar divide-se em duas categorias:
- assédio escolar direto;
- assédio escolar indireto, também conhecido como agressão social
O bullying direto é a forma mais comum entre os agressores (bullies) masculinos. A agressão social ou bullying indireto é a forma mais comum em bullies
do sexo feminino e crianças pequenas, e é caracterizada por forçar a
vítima ao isolamento social. Este isolamento é obtido por meio de uma
vasta variedade de técnicas, que incluem:
- espalhar comentários;
- recusa em se socializar com a vítima;
- intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima;
- ridicularizar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente
significativos (incluindo a etnia da vítima, religião, incapacidades
etc).
O assédio pode ocorrer em situações envolvendo a
escola ou faculdade/
universidade, o local de trabalho, os vizinhos e até mesmo
países. Qualquer que seja a situação, a estrutura de poder é tipicamente evidente entre o agressor (
bully) e a
vítima.
Para aqueles fora do relacionamento, parece que o poder do agressor
depende somente da percepção da vítima, que parece estar a mais
intimidada
para oferecer alguma resistência. Todavia, a vítima geralmente tem
motivos para temer o agressor, devido às ameaças ou concretizações de
violência física/sexual, ou perda dos meios de subsistência.
Deve-se encorajar os alunos a participarem ativamente da supervisão e
intervenção dos atos de bullying, pois o enfrentamento da situação
pelas testemunhas demonstra aos autores do bullying que eles não terão o
apoio do grupo. Uma outra estratégia é a formação de grupos de apoio,
que protegem os alvos e auxiliam na solução das situações de bullying.
Alunos que buscam ajuda tem 75,9% de reduzirem ou cessarem um caso de
bullying.
Os professores devem lidar e resolver efetivamente os casos de
bullying, enquanto as escolas devem aperfeiçoar suas técnicas de
intervenção e buscar a cooperação de outras instituições, como os
centros de saúde, conselhos tutelares e redes de apoio social.
Características dos bullies
Em um estudo entre alunos autores de bullying, 51,8% afirmaram que não
receberam nenhum tipo de orientação ou advertência por seus atos.
Provavelmente porque 41,6% dos que admitiram ser alvos de bullying
relatarem não ter solicitado ajuda aos colegas, professores ou família.
Pesquisas indicam que adolescentes agressores têm personalidades autoritárias, combinadas com uma forte necessidade de controlar ou
dominar. Também tem sido sugerido que uma deficiência em habilidades sociais e um ponto de vista
preconceituoso sobre subordinados podem ser particulares fatores de
risco. Estudos adicionais
têm mostrado que enquanto inveja e ressentimento podem ser motivos para
a prática do assédio escolar, ao contrário da crença popular, há pouca
evidência que sugira que os
bullies sofram de qualquer déficit de
autoestima.
Outros pesquisadores também identificaram a rapidez em se enraivecer e
usar a força, em acréscimo a comportamentos agressivos, o ato de encarar
as ações de outros como hostis, a preocupação com a autoimagem e o
empenho em ações obsessivas ou rígidas. (ou bulidores)
É frequentemente sugerido que os comportamentos agressivos têm sua origem na infância:
- "Se o comportamento agressivo não é desafiado na infância, há o
risco de que ele se torne habitual. Realmente, há evidência documental
que indica que a prática do assédio escolar durante a infância põe a
criança em risco de comportamento criminoso e violência doméstica na
idade adulta".
O assédio escolar não envolve necessariamente criminalidade ou
violência. Por exemplo, o assédio escolar frequentemente funciona por
meio de abuso psicológico ou verbal.
Os bullies sempre existiram mas eram (e ainda são) chamados em
português de rufias, esfola-caras, brigões, acossadores, cabriões,
avassaladores, valentões e verdugos.
Os valentões costumam ser hostis, intolerantes e usar a força para resolver seus problemas.
Porém, eles também frequentemente foram vítimas de violência,
maus-tratos, vulnerabilidade genética, falência escolar e experiências
traumáticas. Comportamentos auto-destrutivos como consumo de álcool e
drogas e correr riscos desnecessários são vistos com mais frequência
entre os autores de bullying.
Quanto mais sofrem com violência e abusos, mais provável é deles
repetirem esses comportamentos em sua vida diária e negligenciarem seu
próprio bem estar.
Tipos de assédio escolar

- insultar a vítima;
- acusar sistematicamente a vítima de não servir para nada;
- ataques físicos repetidos contra uma pessoa, seja contra o corpo dela ou propriedade.
- interferir com a propriedade pessoal de uma pessoa, livros ou material escolar, roupas, etc, danificando-os.
- espalhar rumores negativos sobre a vítima;
- depreciar a vítima sem qualquer motivo;
- fazer com que a vítima faça o que ela não quer, ameaçando-a para seguir as ordens;
- colocar a vítima em situação problemática com alguém (geralmente,
uma autoridade), ou conseguir uma ação disciplinar contra a vítima, por
algo que ela não cometeu ou que foi exagerado pelo bully;
- fazer comentários depreciativos sobre a família de uma pessoa
(particularmente a mãe), sobre o local de moradia de alguém, aparência
pessoal, orientação sexual, religião, etnia, nível de renda, nacionalidade ou qualquer outra inferioridade depreendida da qual o bully tenha tomado ciência;
- isolamento social da vítima;
- usar as tecnologias de informação para praticar o cyberbullying (criar páginas falsas, comunidades ou perfis sobre a vítima em sites de relacionamento com publicação de fotos etc);
- chantagem.
- expressões ameaçadoras;
- grafitagem depreciativa;
- usar de sarcasmo evidente para se passar por amigo (para alguém de
fora) enquanto assegura o controle e a posição em relação à vítima (isto
ocorre com frequência logo após o bully avaliar que a pessoa é uma "vítima perfeita");
- fazer que a vítima passe vergonha na frente de várias pessoas.
Bullying professor-aluno
O assédio escolar pode ser praticado de um professor para um aluno. As técnicas mais comuns são:
- intimidar o aluno em voz alta rebaixando-o perante a classe e
ofendendo sua auto-estima. Uma forma mais cruel e severa é manipular a
classe contra um único aluno o expondo a humilhação;
- assumir um critério mais rigoroso na correção de provas com o aluno e
não com os demais. Alguns professores podem perseguir alunos com notas
baixas;
- ameaçar o aluno de reprovação;
- negar ao aluno o direito de ir ao banheiro ou beber água, expondo-o a tortura psicológica;
- difamar o aluno no conselho de professores, aos coordenadores e acusá-lo de atos que não cometeu;
- tortura física, mais comuns em crianças pequenas. Puxões de orelha, tapas e cascudos.
Locais de assédio
O assédio pode acontecer em qualquer contexto no qual seres humanos
interajam, tais como escolas, universidades, famílias, entre vizinhos e
em locais de trabalho.
Escolas
Em escolas, o assédio escolar geralmente ocorre em áreas com
supervisão adulta mínima ou inexistente. Ele pode acontecer em
praticamente qualquer parte, dentro ou fora do prédio da escola.
Alguns sinais são comuns como a recusa da criança de ir à escola ao alegar sintomas como dor de barriga ou apresentar irritação, nervosismo ou tristeza anormais.
Um caso extremo de assédio escolar no pátio da escola foi o de um aluno do oitavo ano chamado
Curtis Taylor, numa escola secundária em
Iowa,
Estados Unidos,
que foi vítima de assédio escolar contínuo por três anos, o que incluía
alcunhas jocosas, ser espancado num vestiário, ter a camisa suja com
leite achocolatado e os pertences vandalizados. Tudo isso acabou por o
levar ao
suicídio em
21 de Março de
1993.
Alguns especialistas em "bullies" denominaram essa reação extrema de
"bullycídio". Os que sofrem o bullying acabam desenvolvendo problemas
psíquicos muitas vezes irreversíveis, que podem até levar a atitudes
extremas como a que ocorreu com
Jeremy Wade Delle. Jeremy se matou em
8 de janeiro de
1991, aos 15 anos de idade, numa escola na cidade de
Dallas,
Texas,
EUA,
dentro da sala de aula e em frente de 30 colegas e da professora de
inglês, como forma de protesto pelos atos de perseguição que sofria
constantemente. Esta história inspirou uma música (
Jeremy) interpretada por
Eddie Vedder, vocalista da banda
estadunidense Pearl Jam.
Na última década de 90, os
Estados Unidos viveram uma epidemia de tiroteios em escolas (dos quais o mais notório foi o
massacre de Columbine). Muitas das crianças por trás destes tiroteios afirmavam serem vítimas de
bullies e que somente haviam recorrido à
violência
depois que a administração da escola havia falhado repetidamente em
intervir. Em muitos destes casos, as vítimas dos atiradores processaram
tanto as famílias dos atiradores quanto as escolas.
Como resultado destas tendências, escolas em muitos países passaram a
desencorajar fortemente a prática do assédio escolar, com programas
projetados para promover a cooperação entre os estudantes, bem como o
treinamento de alunos como moderadores para intervir na resolução de
disputas, configurando uma forma de suporte por parte dos pares.
O assédio escolar nas escolas pode também assumir, por exemplo, a
forma de avaliações abaixo da média, não retorno das tarefas escolares,
segregação de estudantes competentes por professores incompetentes ou
não-atuantes, para proteger a reputação de uma instituição de ensino.
Isto é feito para que seus programas e códigos internos de conduta nunca
sejam questionados, e que os pais (que geralmente pagam as taxas) sejam
levados a acreditar que seus filhos são incapazes de lidar com o curso.
Tipicamente, estas atitudes servem para criar a política não-escrita de
"se você é estúpido, não merece ter respostas; se você não é bom, nós
não te queremos aqui". Frequentemente, tais instituições (geralmente em
países
asiáticos) operam um programa de franquia com instituições estrangeiras (quase sempre
ocidentais),
com uma cláusula de que os parceiros estrangeiros não opinam quanto a
avaliação local ou códigos de conduta do pessoal no local contratante.
Isto serve para criar uma classe de
tolos educados, pessoas com
títulos acadêmicos que não aprenderam a adaptar-se a situações e a criar
soluções fazendo as perguntas certas e resolvendo problemas.
Local de trabalho
O assédio escolar em locais de trabalho (algumas vezes chamado de
Assédio escolar Adulto) é descrito pelo Congresso Sindical do
Reino Unido como:
- "Um problema sério que muito frequentemente as pessoas pensam que
seja apenas um problema ocasional entre indivíduos. Mas o assédio
escolar é mais do que um ataque ocasional de raiva ou briga. É uma
intimidação regular e persistente que solapa a integridade e confiança
da vítima do bully. E é frequentemente aceita ou mesmo encorajada como parte da cultura da organização".
Vizinhança
Adultos e idosos também são vítimas frequentes de bullying.
Entre vizinhos o assédio escolar normalmente toma a forma de
intimidação por comportamento inconveniente, tais como barulho excessivo
para perturbar o sono e os padrões de vida normais ou fazer queixa às
autoridades (tais como a polícia) por incidentes menores ou forjados. O
propósito desta forma de comportamento é fazer com que a vítima fique
tão desconfortável que acabe por se mudar da propriedade. Nem todo
comportamento inconveniente pode ser caracterizado como assédio escolar:
a falta de sensibilidade pode ser uma explicação.
Política
O assédio escolar entre países ocorre quando um país decide impôr sua
vontade a outro. Isto é feito, normalmente, com o uso de força militar,
a ameaça de que ajuda e doações não serão entregues a um país menor ou
não permitir que o país menor se associe a uma organização de comércio.
Militar
Em
2000, o Ministério da Defesa (MOD) do
Reino Unido
definiu o assédio como : "…o uso de força física ou abuso de autoridade
para intimidar ou vitimizar outros, ou para infligir castigos
ilícitos". Todavia, é afirmado que o assédio militar ainda está protegido contra investigações abertas. O caso das
Deepcut Barracks,
no Reino Unido, é um exemplo do governo se recusar a conduzir um
inquérito público completo quanto a uma possível prática de assédio
escolar militar. Alguns argumentam que tal comportamento deveria ser
permitido por causa de um consenso acadêmico generalizado de que os
soldados são diferentes dos outros postos. Dos soldados se espera que
estejam preparados para arriscarem suas vidas, e alguns acreditam que o
seu treinamento deveria desenvolver o espirito de corpo para aceitar
isto. Em alguns países, rituais
humilhantes
entre os recrutas têm sido tolerados e mesmo exaltados como um "rito de
passagem" que constrói o caráter e a resistência; enquanto em outros, o
assédio sistemático dos postos inferiores, jovens ou recrutas mais
fracos pode na verdade ser encorajado pela política militar, seja
tacitamente ou abertamente (veja
dedovschina). Também, as forças armadas
russas
geralmente fazem com que candidatos mais velhos ou mais experientes
abusem - com socos e pontapés - dos soldados mais fracos e menos
experientes..
Alcunhas ou apelidos (dar nomes)
Normalmente, uma
alcunha (apelido) é dada a alguém por um amigo, devido a uma característica
única
dele. Em alguns casos, a concessão é feita por uma característica que a
vítima não quer que seja chamada, tal como uma orelha grande ou forma
obscura em alguma parte do corpo. Em casos extremos, professores podem
ajudar a popularizá-la, mas isto é geralmente percebido como inofensivo
ou o golpe é sutil demais para ser reconhecido. Há uma discussão sobre
se é pior que a vítima conheça ou não o nome pelo qual é chamada.
Todavia, uma alcunha pode por vezes tornar-se tão embaraçosa que a
vítima terá de se mudar (de escola, de residência ou de ambos).
Indicativos de estar sofrendo bullying
Vítimas de bullying tem mais chance de desenvolverem transtornos de
humor, transtornos alimentares, distúrbios de sono ou/e transtornos de
ansiedade em algum momento da vida.
Sinais e sintomas possíveis de serem observados em alunos alvos de bullying
[2]:
Legislação
No
Brasil, a gravidade do ato pode levar os jovens infratores à aplicação de medidas sócio-educativas. Na área cível, e os pais dos
bullies podem, pois, ser obrigados a pagar indenizações e podem haver processos por
danos morais. De acordo com o código penal brasileiro, a negligência com um crime pode ser tida como uma coautoria.
Um das referências sobre o assunto, no Brasil, é um artigo escrito pelo ministro
Marco Aurélio Mello, intitulado
Bullying - aspectos jurídicos.
A legislação jurídica do estado brasileiro de
São Paulo
define assédio escolar como atitudes de violência física ou
psicológica, que ocorrem sem motivação evidente praticadas contra
pessoas com o objetivo de intimidá-las ou agredi-las, causando dor e
angústia.
Os atos de assédio escolar configuram atos ilícitos, não porque não
estão autorizados pelo nosso ordenamento jurídico, mas por
desrespeitarem princípios
constitucionais (ex: dignidade da pessoa humana) e o
Código Civil,
que determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gera o dever
de indenizar. A responsabilidade pela prática de atos de assédio
escolar pode se enquadrar também no
Código de Defesa do Consumidor,
tendo em vista que as escolas prestam serviço aos consumidores e são
responsáveis por atos de assédio escolar que ocorram nesse contexto.
No estado brasileiro do
Rio de Janeiro, uma lei estadual sancionada em
23 de setembro de
2010 institui a obrigatoriedade de escolas públicas e particulares notificarem casos de
bullying à polícia. Em caso de descumprimento, a multa pode ser de três a 20 salários mínimos (até R$ 10.200) para as instituições de ensino.
Na cidade brasileira de
Curitiba
todas as escolas têm de registrar os casos de bullying em um livro de
ocorrências, detalhando a agressão, o nome dos envolvidos e as
providências adotadas.
Condenações legais
Dado que a cobertura da mídia tem exposto o quão disseminada é a
prática do assédio escolar, os júris estão agora mais inclinados do que
nunca a se simpatizarem com as vítimas. Em anos recentes, muitas vítimas
têm movido ações judiciais diretamente contra os agressores por
"imposição intencional de sofrimento emocional" e incluindo suas escolas
como acusadas, sob o princípio da responsabilidade conjunta. Vítimas
norte-americanas e suas famílias têm outros recursos legais, tais como
processar uma escola ou professor por falta de supervisão adequada,
violação dos
direitos civis,
discriminação racial ou de gênero ou
assédio moral.
No Brasil
Uma pesquisa do
IBGE realizada em
2009 revelou que quase um terço (30,8%) dos estudantes brasileiros informou já ter sofrido
bullying,
sendo maioria das vítimas do sexo masculino. A maior proporção de
ocorrências foi registrada em escolas privadas (35,9%), ao passo que nas
públicas os casos atingiram 29,5% dos estudantes.
No
Brasil, uma pesquisa realizada em
2010
com 5.168 alunos de 25 escolas públicas e particulares revelou que as
humilhações típicas do bullying são comuns em alunos da 5ª e 6ª séries.
Entre todos os entrevistados, pelo menos 17% estão envolvidos com o
problema - seja intimidando alguém, sendo intimidados ou os dois. A
forma mais comum é a cibernética, a partir do envio de e-mails ofensivos
e difamação em sites de relacionamento como o
Orkut.
Em
2009, uma pesquisa do
IBGE apontou as cidades de
Brasília e
Belo Horizonte
como as capitais brasileiras com maiores índices de assédio escolar,
com 35,6% e 35,3%, respectivamente, de alunos que declararam esse tipo
de violência nos últimos 30 dias.
Casos célebres
Na
Grande São Paulo, uma menina apanhou até desmaiar por colegas que a perseguiam e em
Porto Alegre um jovem foi morto com arma de fogo durante um longo processo de assédio escolar.
Em maio de
2010, a
Justiça obrigou os pais de um aluno do
Colégio Santa Doroteia, no bairro
Sion de
Belo Horizonte, a pagar uma indenização de R$ 8 mil a uma garota de 15 anos por conta de assédio escolar. A estudante foi classificada como
G.E. (sigla para integrantes de
grupo de excluídos) por ser supostamente feia e as insinuações se tornaram frequentes com o passar do tempo, e entre elas, ficaram as alcunhas de
tábua,
prostituta,
sem peito e
sem bunda. Os pais da menina alegaram que procuraram a escola, mas não conseguiram resolver a questão.
O juiz relatou que as atitudes do adolescente acusado pareciam não ter
"limite" e que ele "prosseguiu em suas atitudes inconvenientes de
'intimidar'", o que deixou a vítima, segundo a psicóloga que depôs no
caso, "triste, estressada e emocionalmente debilitada". O colégio de classe média alta não foi responsabilizado.
Na
USP, o jornal estudantil
O Parasita ofereceu um convite a uma
festa brega aos estudantes do curso que, em troca, jogassem fezes em um
gay. Um dos alunos a quem o jornal faz referência chegou a divulgar, em
outra ocasião, estudantes da Farmácia chegaram a atirar uma lata de
cerveja cheia em um casal de homossexuais, que também era do curso,
durante o tradicional happy hour de quinta-feira na Escola de
Comunicações e Artes da USP. Ele disse que não pretende tomar nenhuma
providência judicial contra os colegas, embora tenha ficado revoltado
com a publicação da cartilha.
Também em junho de
2010, um aluno de nona série do
Colégio Neusa Rocha, no Bairro
São Luiz, na região da
Pampulha de
Belo Horizonte, foi espancado na saída de seu colégio, com a ajuda de mais seis estudantes armados com
soco inglês.
A vítima ficou sabendo que o grupo iria atacar outro colega por ele ser
"folgado e atrevido", sendo inclusive convidada a participar da
agressão.
Em entrevista ao
Estado de Minas, disse:
Eles
me chamaram para brigar com o menino. Não aceitei e fui a contar a ele o
que os outros estavam querendo fazer, como forma de alertá-lo. Quando a
dupla soube que contei, um deles colocou o dedo na minha cara e me
ameaçou dentro de sala, durante aula de ciências. Ele ainda ligou,
escondido, pelo celular, para outro colega, que estuda pela manhã, e o
chamou para ir à tarde na escola.
Em recente caso julgado no
Rio Grande do Sul (Proc. nº 70031750094 da 6ª Câmara Cível do TJRS), a mãe do
bullie foi condenada civilmente a pagar indenização no valor de R$ 5 mil (cinco mil reais) à vítima. Foi um legítimo caso de
cyberbullying,
já que o dano foi causado por meio da Internet, em fotolog (flog)
hospedado pelo Portal Terra. No caso, o Portal não foi responsabilizado,
pois retirou as informações do ar em uma semana. Não ficou claro,
entretanto, se foi uma semana após ser avisado informalmente ou após ser
judicialmente notificado.
Alguns casos de assédio escolar entre crianças têm anuência dos próprios pais, como um envolvendo um garoto de 9 anos de
Petrópolis.
A mãe resolveu tirar satisfação com a criança que constantemente
agredia seu filho na escola e na rua, mas o pai do outro garoto, em
resposta, procurou a mãe do outro garoto chamado de "boiola" e
"magrelo". Ela foi empurrada em uma galeria, atingida no rosto, jogada
no chão e ainda teve uma costela fraturada. O caso registrado em um
vídeo foi veiculado na internet e ganhou os principais jornais e
telejornais brasileiros.
Em
2011, a 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou uma escola privada a pagar indenização a uma vítima de
bullying.
Em
2011, o
Massacre de Realengo,
no qual 12 crianças morreram alvejadas por tiros, foi atribuído, por
ex-estudantes da escola e ex-colegas do atirador, a uma vingança por
bullying. O atirador, que se suicidou durante a tragédia, também citou o
bullying como a motivação para o crime nos vídeos recuperados pela polícia durante as investigações.
Um garoto de
Campo Grande
(MS) do oitavo ano de ensino fundamental foi obrigado por outro garoto a
passar por diversas situações vexatórias, como fazer atividades
escolares e pagar lanches para ele na escola para ser poupado de
agressões físicas. O caso avançou para a extorsão de dinheiro, causando à vítima a subtração de cerca de R$ 500 em em ano.
O caso foi parar na 27º Promotoria da Infância e Juventude do município
que apurou, por meio de ligações telefônicas, que realmente ocorria a
extorsão, e a um flagrante feito pela polícia, quando o garoto daria
mais R$ 50 ao agressor. Penalizado, o garoto foi submetido a ações previstas no programa contra
violência e evasão escolar, o Procese, em desenvolvimento no município
há dois anos. O valor subtraído foi pago pela mãe do
Valentão aos pais do garoto agredido. O
bullie
de 13 anos foi obrigado pela promotoria a levar os pratos utilizados
durante a merenda e a lavar o pátio escolar durante 3 meses, além de
poder ter de frequentar um curso sobre
bullying.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying